terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Dedicatória à "Varanda do Morto"


Da tua varanda já vi, que a faca também corta no cabo,
e o pó atravessa paredes.
Que a cal pode correr nas veias,
 e seca pra me tornar imortal.
Da tua varanda já vi, que os pés fogem do corpo,
 escalam murmúrios e pisam segredos.
Que o longe é tão longe, e o perto é tão longe também.
Dessa varanda quebrada, colada aos tijolos de lama,
vislumbrei o que um dia, não pode ser meu.

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